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100 anos do Movimento Comunista no Brasil


No dia 25 de março de 1922 era fundado o Partido Comunista do Brasil – PCB. O PCB não inventou a luta de classes e a resistência dos trabalhadores à exploração. Durante quatro séculos, em diversos momentos, indígenas, negros escravizados, pequenos agricultores e assalariados já lutavam contra o escravismo colonial, o latifúndio, a opressão nacional e a burguesia brasileira.

O comunismo no Brasil foi resultado da evolução política da classe operária nacional e internacional.

O proletariado brasileiro surgiu no século XIX, mas começou definir-se como classe a partir do início do século XX com a consolidação das condições de desenvolvimento do capitalismo. Essas condições já tinham impulsionado a luta pela extinção da escravidão e a proclamação da República.

A fundação do PCB foi inseparável das lutas operárias de 1910-1920 e da Revolução Socialista Russa de 1917, quando trabalhadores dirigidos pelo Partido Bolchevique (Comunista), de Lênin e Trotsky, tomaram o poder político e começaram a construir um mundo novo, socialista.

Depois de 1922, as lutas no Brasil jamais foram as mesmas. As lutas progressistas, direta ou indiretamente, sempre estiveram associadas ao movimento comunista: direitos trabalhistas, educação e saúde pública, reforma agrária, democratização das relações sociais, luta contra o fascismo e as ditaduras, antirracismo, defesa da emancipação da mulher, soberania nacional, cultura emancipatória, por exemplo.

O comunismo no Brasil também sofreu e continua sofrendo as contradições do próprio movimento, como a degeneração stalinista e suas divisões. Já no final da década de 1920 um núcleo de operários e intelectuais funda um agrupamento de oposição de esquerda ao curso adotado pela maioria da direção do PCB que em 1931 recebe o nome de Liga Comunista. A LC tinha como propósito dar continuidade as ideias e lutas da revolução bolchevique e do comunismo no Brasil, a partir do combate de Leon Trotsky dentro do comunismo internacional após a morte de Lenin e degeneração burocrática da URSS, defendendo o estado operário da degeneração interna e da ofensiva imperialista externa.

Lamentavelmente, a maioria do trotskismo contemporâneo renunciou a luta contra o imperialismo e pelo comunismo. Os pseudo-trotskistas de hoje envergonham o legado teórico do revolucionário russo Leon Trotsky, dirigente do comitê militar revolucionário que tomou de assalto o palácio de inverno sob a orientação do Comitê Central bolchevique, criador do Exército Vermelho que derrotou a invasão da URSS por 14 nações imperialistas, a OTAN da época, e defensor incondicional dos estados oprimidos contra o imperialismo e da URSS durante a segunda guerra mundial, quando o nazismo, uma besta criada pelo imperialismo, se voltou para o Leste.

O PCB, continuou sofrendo muitas outras rupturas, stalinistas, maoístas. Nenhuma dessas frações do PCB conseguiu conduzir a luta de massas à conquista do poder político pela classe trabalhadora e a maioria capitulou escandalosamente ao oportunismo e ao regime burguês brasileiro, explorador da classe trabalhadora e inimigo mortal do comunismo. Hoje há pelo menos meia dúzia de partidos que se reivindicam herdeiros dessa tradição criada em 1922.

A Liga Comunista também reivindica criticamente a tradição fundada no 25 de março de 1922. Apesar de tudo, de todas as rupturas e contradições que se passaram nesse século no interior do movimento comunista, não temos dúvidas de que o saldo é positivo e que as vitórias da classe trabalhadora brasileira se devem a influência das ideias e das organizações que se reivindicam comunistas na luta de classes.

O processo golpista orquestrado pelo imperialismo, o novo ciclo de acumulação capitalista ensejado nesse processo as custas da superexploração e do empobrecimento extraordinário da classe trabalhadora, arrastada de volta até a fome, o governo fascistóide de Bolsonaro, como expressão mais radical desse assalto do capital às condições de vida do proletariado, as guerras pelo mundo, e sobretudo a guerra defensiva da Rússia na Ucrânia contra a expansão da OTAN, o fenômeno da nova guerra fria entre o bloco imperialista decadente e o nascente bloco nucleado capitalista na eurásia (China e Rússia), exigem a unidade estratégica dos comunistas revolucionários para lutar contra o imperialismo, contra o capital e superar no interior da esquerda os limites colocados pelas tendências hegemônicas reformistas e pelo nacionalismo burguês e pequeno burguês que jamais atenderão plenamente a satisfação dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora.

A Liga Comunista não se autoproclama o partido revolucionário brasileiro, reconhece que é parte de um processo histórico e internacional e luta pela reunificação orgânica dos comunistas, pela construção do partido operário e revolucionário, instrumento que está por ser construído no Brasil e no mundo.

Não há futuro para a humanidade sem o comunismo.

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