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Fome na “Cidade Maravilhosa”: trabalhadores expropriam alimentos no Rio de Janeiro

 

Os preços dos alimentos subiram mais de 20% desde o início da pandemia. O resultado é um maior sofrimento para os mais pobres. Os gastos com alimentação representam cerca de 20% da renda dos brasileiros, segundo o IBGE. Para as famílias que vivem com 1 a 5 salários mínimos, o peso da alimentação chega a um quarto de seus rendimentos. Logo a queda da renda com o aumento dos preços dos alimentos resulta em falta de comida dentro de casa para milhões de trabalhadores.

Hoje, em torno de 120 milhões de trabalhadores passam por algum tipo de insegurança alimentar, isto é, falta de acesso a uma alimentação adequada por motivo de renda. Desses, mais de 19 milhões passam fome (insegurança alimentar grave), sendo aproximadamente 5 milhões de crianças.

Além disso, temos mais de 12 milhões de desempregados e quase 25, 9 milhões de brasileiros trabalhando por conta própria. E ainda, 4,8 milhões de trabalhadores que desistiram de procurar emprego, os chamados desalentados.

Bem, essas contradições que caracterizam o capitalismo em crise explodiram.

No dia 16 de abril, por volta da 20h, cerca de 200 trabalhadores expropriaram alimentos do supermercado Inter, no bairro de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro. E esse não foi um fato isolado. Ações de expropriação de cargas com alimentos pelas massas aconteceram: em Itabuna, na Bahia, no dia 31 de março; em Planaltina, no Distrito Federal, no dia 29 de dezembro de 2021; em Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 19 de agosto de 2021.

Esse tipo de ação de massas não deve ser criminalizado, mas compreendido como último recurso de um estado de necessidade gerado pelo capitalismo, pelo regime golpista e pelo governo Bolsonaro. A vida de milhões deve vir em primeiro lugar.

As direções do movimento operário-popular precisam mobilizar as massas para reivindicar frentes de trabalho, diminuição da jornada laboral, aumento salarial e congelamento dos preços dos gêneros de primeira necessidade.

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