Manchetes do dia

A conciliação fortalece os golpistas


Quando nos referimos ao golpe, não tratamos apenas da derrubada do governo Dilma, a ascensão do golpista Temer que resultou na eleição espúria de Jair Bolsonaro. Mas sobretudo tratamos de como esse golpe interferiu na vida do Povo Brasileiro, desemprego, privatizações que dilapidaram o patrimônio público, reformas que retiraram direitos históricos dos trabalhadores e a morte de centenas de milhares de brasileiros, vítimas da covid 19 agravada pela irresponsabilidade do governo Bolsonaro.

A eleição de Lula pode ser definida como uma derrota do golpe, haja visto que, bilhões de reais foram colocados na campanha Bolsonarista para a sua reeleição. A compra de votos e o pesado jogo de assédio ao povo brasileiro para não votar em Lula e votar no genocida, a derrota levou a uma quebra de perspectivas que existia dentro do setor de extrema direita, neoliberais e conservadores de todos os matizes.

Essa derrota do golpe, tem como protagonismo o povo e o Lula. Em essência, foi uma vitória do povo e do Lula. O primeiro, mesmo com todo o assédio de compra de votos, soube manter-se firme na perspectiva de não vacilar diante dos bilhões colocados para comprar seu voto.  Teve a maturidade em votar no Lula. Este por sua vez, fez de sua liderança a ponto de unidade da esquerda e sua amplitude. No segundo turno, deu uma verdadeira aula aqueles que tem receio de pisar nas favelas, vilas, bairros populares, de encarar e falar abertamente nos olhos do povo. Nesses momentos, assusta aqueles que querem falar para o mercado, para o capital financeiro, para os golpistas, latifundiários, etc, para não perder votos. A radicalidade no contato com o povo vem à tona sem esforço algum, pois é no olho a olho, nos gestos dele emocionam todos aqueles que tem o mínimo de instinto contra a miséria, a fome, o latifúndio, contra a dependência dos grandes, dos monopólios.

No Brasil, estamos diante da possibilidade de reverter o golpe por completo. Voltar a condição anterior ao golpe é o caminho? Lógico que não. O golpe só pode ser revertido com um aprofundamento do poder político, um novo poder. É preciso derrotar determinadas forças do poder burguês atual, as quais mantém afogada a Soberania brasileira. Quebrar esse setor colocando novas forças no comando das armas, não é apenas um grande passo, é uma necessidade. Além disso é preciso desmontar com o monopólio de informação, coloca-lo a serviço da Soberania, dos interesses de reverter as condições golpistas. O monopólio da Globo, CNN, Bandeirantes e outros, mesmo que tenham tido uma posição pró Lula, são decisivamente forças imperialistas, defendem a submissão do Estado ao mercado, as privatizações, ao Neoliberalismo, por fim, são contra o povo.

Falamos de que o momento em que vivemos, é do terceiro turno. É estratégico esse momento, para dar passos decisivos no quarto turno, que vai ocorrer depois da posse de Lula. Sem povo nas ruas, as forças conservadoras, neoliberais e de continuidade do golpe, amordaçam a vitória popular. Quem está pensando lá adiante, em reverter aos poucos e distanciar o povo do processo atual, faz o jogo não só dos bolsonaristas mas da direita também, que disputa novamente o comando da extrema direita.

O apoio ao Lira para a presidência da Câmara, a transição sob o comando da Social Democracia e muitos golpistas, Alkmim ganhando todo o espaço do mundo e o medo do bolsonarismo, é o ambiente propício para que a vitória retroceda, e o golpe permaneça, seguindo toda a sua condição, de não alterar politicamente nada, não reverter reformas, não estatizar novamente as hidroelétricas, de desviar a luta para a retomada da Petrobrás Estatal e a Amazônia tirá-la da ingerência estrangeira. Reforma Agrária e Urbana, nem pensar.

Para muitos, algumas mudanças ou retorno das condições anteriores em algumas superestruturas como as de benefícios Sociais, da cultura e educacional já basta. “Querer mais do que isto, é não conquistar nada”. Este é o pensamento Social Democrata, da frente ampla, do não alterar nunca a condição de mando da burguesia, do imperialismo. É a tese da ONU, da Globo, CNN, da insegurança alimentar ao invés da Soberania popular. É a troca de um caminho político de alterar a estrutura arcaica do Estado Brasileiro ampliando as liberdades melhorando as condições de vida do Povo, pela continuidade do Brasil tutelado pelas forças armadas, explorado pelo capital financeiro submisso ao imperialismo estadunidense.

Por isso, desde já a nossa palavra de ordem, deve ser Novas Forças para empreender as Novas Tarefas.   A imagem de um movimento afogado no sectarismo e paralisado pelo esquerdismo, é uma deturpação grosseira da realidade. As forças de esquerda que aí estão, tremem diante das novas tarefas e passam a se distanciar do povo, abraçar a institucionalidade como se fossem portos seguros. E quando se sentem seguros, pimba, outro golpe aparece contra o povo.

Abaixo a conciliação.

Contra o golpe e sua continuidade.

Pela mobilização Popular.

Nenhum comentário