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Peões fazem greve e obrigam caloteiros da Hapvida e da Ekos Engenharia a pagar salários atrasados

Operários da Construção Civil - Pernambuco


No dia 7 de janeiro de 2022, aproximadamente 280 operários da construção civil do canteiro de obras do Hospital do grupo Hapvida, no complexo médico hospitalar da Ilha do Leite, região central do Recife, realizaram uma jornada de protesto exigindo os pagamentos pendentes de salários atrasados, correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 2021 e ao respectivo 13º salário.

A obra está sendo executada pela construtora Ekos Engenharia, cuja matriz fica localizada em Fortaleza/Ceará. Trata-se de um espigão de 14 pavimentos luxuosos. Ficou paralisada ao longo do mês de dezembro a meados de janeiro de 2022 pelo incrível e injustificado atraso nos pagamentos dos salários e do 13º.

Os operários em protesto saíram em passeata da obra, ocupando e obstruindo o rol principal da unidade do hospital da Hapvida na Ilha do leite. Em seguida, ocuparam as dependências do centro administrativo do grupo Hapvida, nas imediações da obra. Uma comissão de representantes dos operários sob a direção do Sindicato dos trabalhadores da Construção Civil de Pernambuco (o Marreta), reuniu-se com representantes do patronato e seu jurídico. Após longa, tumultuada e áspera negociação, não foram capazes de vencer efetivamente o impasse, a intransigência e o cinismo dos patrões verbalizada através de seus estafetas, deu a tônica. A temperatura esquentou.

Os operários decidiram unanimemente, ao fim e ao cabo, não desocupar o centro administrativo até que os salários fossem pagos e atualizados. A mobilização operária repercutiu em uma reunião posterior, intermediada pelo ministério do Trabalho, no dia 10 de janeiro. Na ocasião, sobre pressão dos operários que abarrotaram a DRT (Delegacia Regional do Trabalho) e do sindicato dos trabalhadores da construção civil (Marreta), o grupo Hapvida finalmente recuou. Reconhecendo e assumindo protocolar e impositivamente sob o ímpeto da mobilização operária, o passivo salarial e o atraso do 13º salário, se comprometendo em realizar imediatamente os pagamentos dos contratados celetistas, exceto, todavia, esquivando-se de realizar os pagamentos, dos contratos de tipo MEI e PJs.

Esse nova artimanha patronal, exigiu outra reunião na DRT com os representantes do Marreta e dos trabalhadores. Agora, se revelavam de maneira cristalina o que se oculta, por detrás dos contratos que tem a grotesca maquiagem de “prestadores de serviço”, “pessoas Jurídicas”, “empreendedores individuais”, do linguajar “dócil” usado pelos exploradores, referindo-se aos trabalhadores como “colaboradores”, “parceiros” e afins, bem a moda do nuvele vocábulo burlesco do patronato.

A jornada de protesto dos operários da Ekos engenharia na obra do hospital Hapvida em Recife, como inúmeras outras, tem vencido a inércia política, dela extraímos uma boa lição. Foi sem dúvida, uma luta decisiva, ao demonstrar que mesmo nesse período político crítico, marcado pela defensiva, o proletariado, pode vencer a prostração e a paralisia política. Podendo realizar movimentos de ofensiva tática, econômica e sindical, mesmo dentro de um período defensivo das lutas estratégicas.

Em síntese, as direções políticas e sindicais majoritárias da CUT, Central Única dos Trabalhadores e seus sindicatos, não podem sucumbir ao imobilismo, sob pena de inviabilizar a superação desse período conjuntural estratégico defensivo, desenvolver a mobilização operária através do acúmulo de lutas imediatas e políticas é uma condição sine qua non. Neste caso, sucumbir a maré dominante do imobilismo, tem a ação de uma camisa de força, junto com o papel das direções políticas e sindicais colaboracionistas e pelegas (Força Sindical, UGT, CGT e sindicatos pró-patronais etc...). A prostração, a paralisia e as direções pelegas, se apoiam mutuamente, no sentido de canalizar para passividade a luta ou paralisar às energias políticas das forças do proletariado.

Justamente por está razão política, a mobilização dos trabalhadores da construtora Ekos sob a direção do Marreta em Recife, descortina uma perspectiva, de qual deve ser o papel dos sindicatos e da central, mais além, descortina qual a perspectiva, para o conjunto do movimento Sindical, na luta contra o patronato e a gerência de turno bolsonarista, fundamentalmente essa é a sua cruciante importância neste momento politico.

Patrões turbinados pelo Golpe, Bolsonaro e Pandemia

Cândido Alves, o proprietário do grupo Hapvida, turbinou sua já nababesca fortuna pessoal, na ordem dos bilhões. Começou em 1986, com apenas um hospital. Hoje possui 25 hospitais, distribuídos em 11 estados brasileiros diferentes e patrimônio acumulado de 3,7 bilhões de reais.

Ele é um dos 42 novos biliardários que tomaram parte no seletíssimo clube do baronato no país. Enricaram com a ditadura da bancocracia, que passou a controlar o Banco Central de forma absoluta no governo Bolsonaro. Essa fração do capital tem seu centro nevrálgico na aristocracia rentista. Sob o novo ciclo de acumulação capitalista a partir do golpe de 2016, tutelada pela caserna e o domínio semicolonial do imperialismo, principalmente o estadunidense, tem potencializado a concentração e a centralização de capital sob o controle do parasitismo deste minúsculo club do baronato do País.

No caso, a alta lucratividade foi obtida através da mercantilização da saúde e da vida, enquanto o país atravessa sua pior crise sanitária, com centenas de milhares de mortos.

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