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Imperialismo canadense ataca indígenas para saquear potássio brasileiro




O tuxaua Sergio Nascimento denúncia a coação feita pela Potássio
do Brasil para venda de terras em sua aldeia.

O Portal InfoAmazonia[1] relata que a empresa canadense Potássio do Brasil[2] está coagindo indígenas para extrair potássio na região amazônica. Placas que identificam as áreas adquiridas pela mineradora Potássio do Brasil estão espalhadas por aldeias indígenas nos arredores do município de Autazes, onde a citada empresa tem sua sede operacional, a 110 km de Manaus, capital do Amazonas.

Há denúncias de abordagem truculenta da empresa imperialista para ocupar o território onde o povo Mura vive há séculos. De acordo com o Portal InfoAmazonia a empresa canadense vem se estabelecendo na região porque pretende erguer um complexo de exploração de potássio, que ganhou força com a crise mundial de fertilizantes. O principal empreendimento é a escavação, em Autazes, da maior mina de potássio já identificada no Brasil. Mas, além disso, ela quer explorar uma imensa área na bacia do rio Amazonas. Desde 2010, a mineradora realizou 33 perfurações em Autazes, incluindo sondagens do solo, sem autorização, nas terras indígenas Jauary e Soares/Urucurituba — esta autodemarcada.

As denúncias também foram constatadas por representantes do Ministério Público Federal (MPF) e da Justiça Federal do Amazonas em uma inspeção realizada no dia 29 de março na região. A expedição apontou que a mineradora pressionou e coagiu indígenas e ribeirinhos e os impediu de acessar suas antigas áreas.

Em Autazes, a mineradora, que é controlada pelo banco canadense Forbes & Manhattan, estima explorar por ano 2,4 milhões de toneladas de potássio, usado na fabricação de fertilizantes. Além da mina, com quase um quilômetro de profundidade, o projeto inclui a construção de estradas, um porto e uma fábrica de insumos agrícolas. Além disso, empresa representante do capital estrangeiro, também identificou depósitos de sais de potássio em Itacoatiara (incluindo a comunidade de Novo Remanso) e Itapiranga. Em março, recebeu autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para perfurar trechos em São Sebastião do Uatumã e Urucará, todas cidades no Amazonas.

O InfoAmazonia enfatiza que, em março, o prefeito de Autazes, Anderson Cavalcante (Partido Social Cristão-PSC), viajou ao Canadá a convite da Potássio do Brasil, acompanhado da então ministra da Agricultura, Tereza Cristina. No mesmo mês, executivos da multinacional se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro (Partido Liberal-PL). A pauta, segundo a empresa, foi "ajudar o Brasil a depender menos da importação de fertilizantes".

Esses fatos revelam algo mais profundo: a opressão imperialista sobre o Brasil. Uma de suas faces é o saque das riquezas naturais brasileiras. Nesse caso, o capital financeiro canadense ataca indígenas, alia-se com o governo de extrema de direita de Bolsonaro, compra políticos e destrói o meio ambiente. Por isso, a derrota de Bolsonaro e de todos os golpistas é uma derrota do imperialismo. A expropriação e estatização da Potássio do Brasil por interesse público é uma medida de defesa da soberania nacional. Somente os trabalhadores com o apoio das comunidades indígenas e ribeirinhas podem levar essa luta à frente.


[1]https://infoamazonia.org/2022/04/28/mineradora-e-acusada-de-coagir-indigenas-para-explorar-potassio-na-amazonia/

[2] https://potassiodobrasil.com.br

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