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EUA: Trump entre o populismo e a agenda imperialista

Após ver suas promessas populistas abortadas pelo establishment, Trump esforça-se para cumprir a agenda imperialista

Ana Souza, do SWL - EUA




O legado de oito anos de Obama como comandante em chefe do império consolidou-se no exterior como um dos mais intervencionistas ocupantes da Casa Branca, através da implementação de políticas que variaram de golpes de Estado, parlamentares em regiões como o Brasil, eleitorais, como na Argentina, e militares, no Egito, simultaneamente aterrorizando com drones e guerras a maior parte do Oriente Médio.


Internamente, a vanguarda da classe trabalhadora identificou o mandato de Obama pelos ataques constante às minorias, criando um estado policial que matou muitos jovens negros e ampliou a deportação de imigrantes latinos e muçulmanos para números nunca vistos antes. Por traz de sua falsa demagogia de "esperança", através de slogans como “hope’, “Yes, we can!” revelou-se sua verdadeira agenda imperialista: aprofundar a exploração da classe operária americana, mas o mais importante: ampliar a escalada terrorista no Oriente Médio e desestabilizar os BRICs, pressionando pela implementação de uma nova guerra fria.

Em meio a esses acontecimentos, Trump foi eleito com o apoio de setores da classe trabalhadora branca que se encontram mais desesperados e pobres desde o fim da indústria de manufatura americana. Prometendo livrar-se dos "criminosos" imigrantes que foram descritos por Trump como os que estão "roubando América dos americanos", ele camuflou a crise do capital, colocando a culpa sobre os imigrantes e jogando um setor dos trabalhadores contra os outros.


No entanto, ao contrário de sua promessa de oportunidades de emprego mais amplas, como as leis de imigração, estão ficando muito mais apertadas e um número maior de deportações está a caminho. Essas promessas de trabalho juntamente com sua promessa de reenergizar o aparato industrial está longe de se materializar e tornar realidade. Enquanto a classe trabalhadora segue perdendo seus direitos trabalhistas e sociais, as grandes corporações seguem livres impondo extensivas jornadas de trabalho e minimizando salários já baixos. Os sindicatos por sua vez estão ficando cada dia menos representativos em vários setores trabalhistas.


A medida em que o mandato de Trump segue, o império e seu establishment pressionam-o de todos os lados usando o argumento do "apoio eleitoral russo" que ele supostamente recebeu de Putin, colocando o ocupante da Casa Branca contra as cordas por sua questionável "lealdade à América", empurrando-o para assumir a continuidade das tarefas lideradas por Obama em um ritmo mais rápido. Exemplos destes desenvolvimentos são evidentes por seu recente ataque contra a Síria, lançando 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra sírios; E lançando a maior bomba não-nuclear existente no Afeganistão, matando civis, incluindo crianças.


Trump está ciente de seu dever imperialista e está assegurando seu compromisso com a agenda do establishment, reenergizando a Guerra Fria que a partir de agora pode se tornar "quente" em qualquer momento.

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