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Argentina: repúdio ao atentado nazista contra CFK



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Na noite do dia primeiro de setembro, Cristina Fernandez de Kirchner sofreu uma tentativa de assassinato. Um homem tentou atirar duas vezes com uma pistola Bersa calibre .40 a menos de meio metro da cabeça da ex-presidenta (2007 -2015) e atual vice-presidenta da Argentina.

Em cadeia nacional de televisão, o presidente argentino Alberto Fernandez declarou:

Este é o evento mais sério que já aconteceu desde que restauramos a democracia" em 1983. Cristina continua viva, porque, por uma razão que não foi tecnicamente confirmada, a arma que continha cinco balas não disparou, apesar de o gatilho ter sido apertado. CADENA NACIONAL - Mensaje del Presidente de la Nación, Alberto Fernández 

O criminoso é Fernando André Sabag Montiel, um homem de 35 anos vinculado a organizações nazistas que operam na Argentina e possui tatuagens com simbologia nazista. Montiel fez postagens contra os imigrantes bolivianos, e recentemente apareceu na televisão dando declarações contra os benefícios sociais para os pobres.

También apareció dos veces en Crónica TV en las últimas semanas. En sus intervenciones, ante móviles del canal en la calle, apareció con fuertes críticas a los planes sociales y cuestionamientos a la clase política. También planteó la extradición de los extranjeros. (El perfil de Fernando Andrés Sabag Montiel, el atacante de Cristina: tuvo llamativas apariciones en TV)

Por não ter conseguido seu intento graças a sua própria falha, ao seu amadorismo, o criminoso parece ter agido individualmente, todavía não restam dúvidas que ele representa a extrema direita terrorista de uma frente reacionária que o instigou e o estimulou a agir, como parte da campanha da oposição de direita que move um processo judicial de lawfare contra Cristina nesse momento. Certamente, Montiel acreditava deber fazer fazer “justiça” com as próprias mãos para evitar que Cristina não fosse punida.

Um outro fascista, que se apresntou como melhor amigo do criminoso chegou a declarar na TV Telefé:

Yo creo que su intención original era matarla, pero lamentablemente no ensayó antes. Por ahí significarían menos impuestos, no sé. Igual, menos mal que no le tiró porque la convertían en mártir y zafaba de todas las causas (La repudiable declaración del amigo del atacante de Cristina: "Lamentablemente no ensayó antes")

Apesar de que políticos de varios países manifestaram solidariedade com CFK e muitos políticos argentinos também, a principal coalizão opositora da direita argentina Juntos (UCR + PRO) se opôs a fazer qualquer condenação ao atentado. Patricia Burlich, ex ministra de Segurid do governo Macri, atual presidenta do PRO, postulante a ser uma espécie de Bolsonaro argentina, não repudiou o atentado e bloqueou uma declaração conjunta de sua coalizão sobre o mesmo.

O setor do moyanismo (Frente Sindical dentro da Confederação General dos Trabalhadores cogita uma greve nacional para o dia cinco de setembro, com mobilização em direção à sede do Supremo Tribunal de Justiça contra o lawfare, após o atentado fracassado à vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner. Essa mobilização convocada pela burocracia sindical é progressiva porque entra em contradição com a direita e com o golpismo judicial, instrumento da direita mesma. Apesar de um setor da burocracia da CGT apoiar ao superministro da Economia, Sérgio Massa, responsável pelos acordos com o FMI, por suas próprias contradições, se a paralização ocorrer ela poderá também favorecer protestos dos setores de base da burocracia sindical (comissões internas, cipeiros e os próprios trabalhadores de base dos sindicatos) contra os acordos do governo Fernandez com o FMI.


Este atentado contra CFK se insere em um contexto de violencia crecente das oposições de direita contra tudo que não coadune com sua orientação ultrarreaccionaria, opção circunspecta hoje a “Juntos” e aos “Libertarios” (anarcocapitalistas) cada vez mais neofascistas, como uma evolução dos neoliberais. O atentado foi contra CFK, por ser identificada pelo criminoso e pela extrema direita como representante politica das políticas sociais e dos parcos direitos que possuem os trabalhadores imigrantes. O ressentimento nazista se volta contra os setores mais precarizados da classe trabalhadora. A vanguardia militante deve tomar nota de este atentado contra CFK como parte de una campaña de violencia creciente contra o proletariado.

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