Manchetes do dia

O fantasma da revolução cubana e um "maldito" panfleto da LC

 O pavor de Bolsonaro, do capital e do imperialismo




A direita, o capital, o imperialismo tem seus sonhos e pesadelos. Nós temos os nossos. Quando declarou seu voto pelo impeachment de Dilma, Bolsonaro conseguiu o extraordinário feito de se destacar em meio do circo de horrores reacionário de seus pares deputados naquele fatídico 17 de abril de 2016 dizendo:
 
"Nesse dia de glória para o povo brasileiro tem um nome que entrará para a história nessa data, pela forma como conduziu os trabalhos nessa casa. Parabéns, presidente Eduardo Cunha. Perderam em 1964. Perderam agora em 2016. Pela família e pela inocência das crianças em sala de aula que o PT nunca teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo Exército de Caxias, pelas nossas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim."" (Bolsonaro justifica seu voto inspirado em torturador)

Dilma foi presa por pertencer a organização Política Operária. Possuía 19 anos e foi barbaramente torturada por 3 anos pelo bando de policiais covardes e criminosos sob o comando de Ulstra. O ídolo de Bolsonaro coordenou a Operação Bandeirantes e através dela se tornou o maior torturador do Brasil. Era um assassino sádico e sanguinário que coordenou a tortura e a morte de mais de 500 pessoas no Brasil a serviço da "ditadura do grande capital financeiro e monopolista", como 
o sociólogo marxista Octavio Ianni acertadamente caracterizava o regime.

No processo revolucionário de 1959-61 a direita perdeu e perdeu feio em Cuba, que se transformou no pesadelo, no maior fantasma da burguesia imperialista e de seus agentes no continente. Por isso, é o país que sofre por mais tempo um bloqueio economico em toda a história do capitalismo. A extensão do bloqueio cubano imposto pelo imperialismo, só é comparável ao bloqueio imposto pelos mesmos EUA contra o outro estado operário ainda existente, a Coreia do Norte.

O golpe de 1964 no Brasil e sua ditadura foram seguidos por uma série de outros na América Latina, como o que ocorreu no mesmo ano na Bolívia, liderado pelo vice presidente René Barrientos e o golpe de 1966 na Argentina, liderado General Onganía. A ordem dos EUA para suas semicolonias foi desencadear o terror estatal contra a revolução comunista. Vale lembrar que não apenas em Cuba, mas também a Bolívia havia passado por uma situação revolucionária, em 1952, com o proletariado mineiro assumindo um grande protagonismo político, potencialmente poderia ter gerado uma outra experiência de revolução vitoriosa se não fossem a política conciliadora do partido político que os influenciava, o POR. Também, no início da década seguinte, o Chile, foi palco de outro processo revolucionário, sob a vanguarda dos cordões industriais.

De fato, o pavor tomou conta do imperialismo após serem derrotados na batalha de Praia Girón, em 1961, quando tentaram invadir a ilha mas foram humilhados pelo povo cubano armado, episódio que impulsionou um giro socialista no regime político nascido da revolução de 1959.

Obviamente, o medo da revolução cubana contagiar o continente não é a única causa para o golpe e a instalação da ditadura no Brasil, cuja história é marcada por uma "contrarrevolução permanente", como também assinala Ianni, mas é a causa mais forte a determinar a mudança de orientação da CIA em favor de contrarrevoluções preventivas na maioria dos países do continente na década de 1960. Não por acaso, vale destacar que o país do continente onde o imperialismo não operou um golpe de Estado preventivo, a Venezuela, foi o que a luta de classes possibilitou mais aproximar-se politicamente de Cuba, apesar da Venezuela não ter realizado uma revolução nem expropriado a burguesia.

Cuba fez por onde merecer tamanha demonização das classes dominantes locais e da burguesia imperialista. Apesar de todas as limitações territoriais, produtivas, do tamanho da população, da herança colonial, e sobretudo apesar do criminoso bloqueio econômico imposto pelos EUA, tornou-se um exemplo de transformação social para o mundo. O processo derrotou a ditadura, expropriou o latifúndio, a burguesia nativa, as companhias multinacionais, nacionalizou a terra e o solo e assegurou soberania, educação e saúde para o seu povo e exportou, até os anos 70, apoio guerrilheiro para os processos revolucionários da África e América Latina, e depois disso exportou tecnologia sanitária e médicos para outros países. Por isso, Cuba se tornou o pavor da direita e do capital.

Um os primeiros atos de Bolsonaro - tão logo conseguiu ser eleito presidente nas eleições
 fraudadas de 2018 que foram um verdadeiro "Golpe dentro do Golpe" - antes de tomar posse, foi provocar a retirada dos médicos cubanos, prejudicando diretamente 24 milhões de brasileiros, desassistidos de saúde pública.

Ainda no final de 2014, quando a frente ampla golpista tentava anular a reeleição de Dilma Roussef, recusando-se a aceitar a derrota eleitoral, o movimento popular, convocou a primeira manifestação de massas contra essa ofensiva da direita no MASP, Avenida Paulista, no dia 13 de novembro daquele ano. A manifestação se chamava de Marcha Popular contra a direita, por mais direitos. Milhares de pessoas foram para a manifestação e a Liga Comunista também, armada politicamente com alguns milhares de panfletos como sempre nas manifestações. O título de nosso panfleto dessa vez foi "Fazer do Brasil uma grande Cuba!" (assinado também pelo Coletivo Lenin, que reproduzimos na íntegra abaixo). Não esperávamos era a repercussão que o panfleto causou entre a frente ampla de direita golpista.

Olavo de Carvalho, já guru da direita, tratou de atribuir ao PT o panfleto dizendo que o título do documento seria o nome do programa governamental de Dilma:
"Até agora, "fazer do Brasil uma Cuba" era uma figura de linguagem, embora muito apropriada para descrever os planos do Foro de São Paulo. Desde ontem, é o NOME DO PROGRAMA GOVERNAMENTAL, tal como alardeado na passeata da Avenida Paulista pelo PT, pela CUT e pelo MST. Quem doravante negar essa realidade deve ser considerado um FARSANTE, CANALHA, VIGARISTA INDIGNO DE QUALQUER RESPEITO."

Mais uma grande mentira do charlatão terraplanista. Todo o governo de Dilma provou o contrário e esse nem de longe foi o programa da candidata petista, que inclusive renunciou ao seu próprio programa eleitoral para capitular as pressões golpistas, colocando o testa de ferro dos banqueiros, Joaquim Levy, como ministro da Fazenda; aprovando a lei antiterrorista contra os movimentos dos trabalhadores, e uma série de outras medidas reacionárias que ao contrário de evitar, aceleraram seu isolamento político. Todas essas capitulações do governo do PT plantaram confusão em seu imenso eleitorado e facilitaram um dos Golpes de Estados mais fáceis já ocorridos, cujo climax na Câmara dos Deputados mencionamos no primeiro parágrafo. Uma prova da validade do que estamos dizendo, está no fato de que o chavismo, na Venezuela, depois de se derrotar com apoio popular o golpe de Estado de abril 2002, tomou precauções à esquerda, como um armamento popular, contra as dezenas de tentativas golpistas posteriores e até agora segue governando.


Na golpista revista Veja, Reinaldo Azevedoentão o patife de vanguarda do golpismo na mídia e ainda longe de ser o guru da esquerda liberal perguntava:

“E aí? O que lhes parece? Como se sabe, isso aí não mereceu nem sequer menção na grande imprensa e jamais iria parar num título. Por que não se publicou algo assim: “Em ato em defesa do governo Dilma, manifestantes pedem que Brasil vire uma grande Cuba”. Seria uma manchete mentirosa? ... Mas pergunte a Boulos se ele realmente não gostaria que o Brasil virasse uma Cuba continental.”

Na mesma Veja, outro golpistinha, Felipe Moura provocava:

“foi distribuído na manifestação de militantes petistas desta quinta-feira 13 em São Paulo um folheto do Coletivo Lenin e da Liga Comunista com o título “Fazer do Brasil uma grande Cuba!”. Sim: eles acham isso bom. Mas nada assim com que devamos nos preocupar, não é mesmo?”

 E no dia seguinte, Moura escreve novamente: 

“Acha que estou sendo exagerado? Pois eis – aí ao lado – o panfleto distribuído na manifestação petista, como já mostrei aqui. A imprensa fez alguma manchete dizendo que manifestantes pediam que Brasil virasse uma grande Cuba? Não! Explicou que se trata de um regime ditatorial responsável pela morte de ao menos 100 mil pessoas, mais de 17 mil delas sendo opositores políticos fuzilados no paredón, como até Che Guevara admitiu que fazia em discurso na ONU em 1964? Não!”

Como é notável, todos tratam de invocar providências repressivas, qualquer providência, vindas de sua turba de zumbis, da mídia golpista, do Estado, contra a estratégia revolucionária e justificam com isso sua estratégia contrarrevolucionária preventiva, ao mesmo tempo em que tentam atribuir a direção do PT, do MST, do MTST uma política que sabem muito bem não lhes corresponder. Mas, como em 1964 e em quase todos os golpes, o fantasma do comunismo é agitado na campanha da reação de demonização dos os inimigos a serem golpeados. 

A virulência dos ataques não se deve apenas ao título do panfleto, porque essa perspectiva para a luta de classes no Brasil, posta em termos da potencialidade sobre uma experiência concreta de revolução no continente é o que mais teme historicamente o imperialismo e as classes dominantes nativas de todo o mundo.

Muitas outrsa mídias menores da direita fundamentalista católica também citaram o panfleto, chamando atenção também para seu conteúdo:

“Em resposta a manifestações conservadoras ocorridas em São Paulo no começo de Novembro (após a eleição), o Movimento dos Sem-Teto convocou uma passeata exatamente para o dia 13 de Novembro (em 13 de Novembro de 2015, na França, ocorreram também os ataques terroristas que vitimaram mais de 100 pessoas). Centenas de militantes compareceram ao evento, e nessa data foi distribuído o seguinte documento: Fazer do Brasil Uma Grande Cuba, eis a promessa do movimento revolucionário em 13 de Novembro. No documento, lemos ainda o seguinte: “Todas as reformas só serão possíveis com uma verdadeira Revolução Socialista…” e lemos também: “Uma revolução no Brasil colocaria imediatamente o imenso proletariado brasileiro na vanguarda da revolução continental...” (blog NovaCastalia).

Sim, nós temos nossos símbolos e sonhos, ampliar nas dimensões continentais brasileiras toda a grandiosidade que foi e continua sendo a revolução cubana, é um deles. Abaixo, o "maldito" panfleto na íntegra:


"MARCHA POPULAR CONTRA A DIREITA, POR MAIS DIREITOS

Fazer do Brasil uma grande Cuba!


A crise de 2008, debilitou o domínio do imperialismo dos EUA e Europa sobre países como o Brasil, e favoreceu a influência das burguesias chinesa e russa. Os conflitos na Síria, Ucrânia e as últimas eleições estiveram marcados por essa nova disputa.

Durante e após as eleições, setores da classe média manipulados pelo imperialismo foram as ruas com todo o seu ódio, preconceitos e violência contra nós trabalhadores, defendendo a qualquer custo a derrota do PT.

Derrotada nas urnas, a direita quer agora derrubar o governo Dilma, agitando por uma nova ditadura militar para facilitar a aceitação de um golpe parlamentar como imposto em Honduras, Paraguai e Ucrânia.

Toda essa onda reacionária acontece porque eles têm medo de perder seus privilégios, de que o PT, pressionado por manifestações e greves, seja obrigado a fazer as reformas necessárias a melhoria vida dos trabalhadores. No entanto, o PT não fará essas reformas, porque mesmo depois de quase tomar um pé-na-bunda dos empresários e banqueiros, e quase perder a presidência num golpe eleitoral-midiático, o PT mais uma vez deixa de lado os movimentos sociais e os trabalhadores para negociar a sua “governabilidade” com a direita.

Só reformas populares poderiam melhorar as condições de vida da nossa classe. A reforma agrária contra o agronegócio daria terra ao trabalhador do campo. A reforma urbana acabaria com a especulação imobiliária e daria moradia digna a todos que necessitam.

Os transportes, a saúde, a educação e a mídia precisam ser estatizados e passar ao controle da população trabalhadora, assim como as grandes indústrias e as multinacionais. Também é preciso pôr fim a polícia assassina e as prisões em massa de nosso povo pobre e negro.

Todas essas reformas só serão possíveis com uma verdadeira Revolução Socialista, onde conquistemos o poder de decisão e a organização da produção nas indústrias e empresas, no campo e nas cidades, para atender às necessidades de toda a nossa classe. É disso que a direita e o imperialismo têm medo, de uma nova e grande Cuba na América Latina.

Mais do que derrotar a ofensiva imperialista e golpista no Brasil, temos que ir além, fazer um governo dos conselhos dos trabalhadores da cidade e do campo. Uma revolução no Brasil colocaria imediatamente o imenso proletariado brasileiro na vanguarda da revolução continental, não poderia ser contida por bloqueios imperialistas nem se submeteria aos limites estabelecidos por uma burocracia. Mas para isso não podemos nutrir qualquer ilusão no PT que governa para os empresários e banqueiros. Somente nós, trabalhadores, podemos fazer o nosso futuro.

Por sua vez, se não avançamos nesta luta, seremos esmagados pela perspectiva contrária, de uma nova onda golpista reacionária, que nos imporá o desemprego, a falta de moradia, o arrocho salarial, as drogas, a prostituição, a mendicância, o trabalho escravo, e uma repressão policial ainda mais bárbara do que a que já sofremos. Mais do que nunca, hoje, está colocado para os trabalhadores brasileiros socialismo ou barbárie!

Este documento é uma elaboração comum do Comitê Paritário constituído pelo Coletivo Lênin e pela Liga Comunista / Comitê de Ligação pela IV Internacional (TMB / Argentina, Socialist Fight / Grã Bretanha), estabelecido na jornada de discussões de São Paulo dos dias 08 e 09 de novembro de 2014.

TODOS A MARCHA POPULAR CONTRA A DIREITA E POR DIREITOS!
AGORA É A VEZ DO POVO! NEM COXINHA, NEM GOLPISTA!
UMA MARCHA DE ESQUERDA E DE VERMELHO!
Organizada pelo MTST e com a participação de várias organizações, esta Marcha pretende colocar as pautas populares para o Brasil.
Contra o avanço da direita fascista! Contra o ódio ao povo pobre e aos nordestinos!
13/11/2014 - 17h - MASP - Av. Paulista - São Paulo/ SP"

Nenhum comentário